sábado, 18 de agosto de 2012

OMG!!! Ele caiu na Escola!!!!

Chamem o departamento médico! Liguem para 193! Corram em desespero! A criança caiu na escola!!!


Em toda a minha vida profissional, o que mais vi acontecer foram acidentes nas escolas. Dos mais diversos tipos, dos mais impensáveis modos e com os mais  variados resultados.

Vi crianças perderem dentes, vi testa rachada, braço quebrado, mordidas e arranhões dos mais variados. Vi as reações mais variadas das crianças e de pais. Vi crianças corajosas (mais que eu) e vi pais culparem funcionários e professores pelas quedas acidentais de seus filhos.

Sempre achei que nunca conseguiria agir calmamente numa situação de acidente grave, nunca achei que saberia o que fazer. No meu caso, tenho treinamento para isso, curso obrigatório para quem lida com crianças nos EUA, mas nunca me achei preparada. A verdade é que na hora H, soube o que fazer, e no fim, deu tudo certo.

Mas, de quem é a culpa? Que reação ter ao constatar um ferimento no seu filho, ou a receber um telefonema com uma notícia dessas??
Obviamente, deve ser analisado o risco, a situação e o grau do acidente. Foi causado por falta de infraestrutura? Relapso? Escola em má conservação? Se isso for constatado, a escola deve ser responsabilizada ou punida. No entanto a maioria dos acidentes são bem vindos. 

Bem vindos?? Como assim?

Criança que cai é criança que brinca. E isso é ÓTIMO. Ela cai porque testou seus limites, testou suas habilidades e arriscou coisas novas. Não é extraordinário quantas coisas as crianças aprendem brincando?
Cair faz parte da aprendizagem, ao cair ela entende seus limites, e a cada dia tenta superá-los. Por mais que pais e professores gritem aos 4 cantos - Não corre!! Eles vão sempre correr... e só vão parar quando provarem para si mesmos que foram longe de mais.

Temos na escola um aluno de 3 anos que consegue dar "mortais", cambalhotas e piruetas. Tudo incentivado pelos pais. Ele vive se machucando, e a gente desesperada tentando conter o menino. Impossível. Um dia, ao comentar com a mãe dele que uma hora ele acabaria quebrando um braço, a mãe (médica) nos respondeu: "- Se quebrar, conserta!!!"  Entendi ali, que é mesmo impossível conter uma criança de explorar o mundo. Basta olhar no nosso próprio corpo, observar nossas cicatrizes e nos lembrarmos das histórias que elas contam.

PS: Update: recentemente encontrei esse artigo que fala exatamente sobre isso. School ditches rules and loses bullies Fala sobre incentivar brincadeiras arriscadas mas que desafiam a criatividade deixando as crianças mais livres, sem regras e experimentando coisas que normalmente não seriam permitidas por serem muito "perigosas"

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

A Tia da Escolhinha

 Quando criança estudei numa EMEI.  Minha professora chamava-se Cristina. A Tia Cristina. Tradição no Brasil, todas as professoras de educação infantil são chamadas de tias.

Quando fui ao ensino fundamental, as coisas mudaram, as 'tias' viraram 'prôs'. E no ensino médio, as prôs que mais gostávamos nos davam a liberdade de chamá-las de 'tias' novamente.

Ao ir à faculdade, recém-saída do ensino médio e cheia e vícios daquela época, num lapso, chamei  a professora de Francês de 'tia'. Ela, com olhar de horror, virou para mim e disse: - Que falta de respeito é essa? Quem você pensa que é para me chamar de 'tia'? ; que vergonha passei...

Nos Estados Unidos todas as professoras são chamadas pelo sobrenome: Miss Smith, Misses Williams, Ms Jones... e isso acontece desde o jardim da infância. Um sinal de respeito e de distanciamento.

Agora, e aqui, por que a Professora de Educação Infantil é chamada de tia? 

Vamos deixar claro: Tia, é irmã de sua mãe, ou irmã de seu pai. E só isso. Nós somos P-R-O-F-E-S-S-O-R-A-S.  No meu caso, TEACHER, já que leciono em escola bilingue.

Não há motivo algum em diminuir a profissional à 'tia'. Veja, toda professora estudou no mínimo 4 anos de graduação, a maioria tem pós-graduação, uns 60% tem duas graduações, no caso das professoras de escola bilingue, falam fluentemente um segundo idioma, grande parte teve vivência e cursos no exterior; participamos de treinamentos, workshops e palestras semestralmente, ou seja, muitas educadoras tem MUITO mais graduação que muitos profissionais de outras áreas. Você chamaria seu médico de 'tio'? Ou seu advogado? Ou ainda, seu chefe?? 

Pois é, somos profissionais como todos os outros. Muitas vezes mais dedicados que muita gente. É verdade que mal-pagos, isso é. Mas sinceramente, não dá para ser professor sem ter dom e paixão. Muita gente até se forma em Pedagogia, Letras ou Matemática, mas praticar é para poucos, só para aqueles que tem amor pela profissão...

E diminuir um profissional tão dedicado à 'tia', é humilhante. E hoje entendo minha Professora de Francês, sinto o que ela sente. Depois de tantos anos de estudos, tanta dedicação, eu tenho sim ORGULHO de ser PROFESSORA.



XOXO, Teacher Gaby